Quinta-feira, Maio 10, 2012

Dias belos, macios, o sol que entra acarinha a pele já mais clara pela ausência de verão. Entusiasmo, vontade de abraçar o mundo, correr de bicicleta até cansar. Comemoro o tempo passado e crio sonhos, construo castelos em meio a cidades invisíveis. Naquela casa com quintal cheiinho de flores, ele vem pequeno e amado com um sorriso que agiganta o sentir. Seria doce se não fosse antítese!

Quinta-feira, Abril 05, 2012

Escondida em meio a memórias, projetos, afãs. Que verdade é essa? Não existe verdade, não existe certeza. Lido o livro é tudo possível e nada é viável. O paradoxo da existência, as pulsões recriadas em meio a falsas necessidades. Era de Aquário e o indivíduo triunfante misturado à turba. Quem um dia falou em Eu esqueceu que a culpa assola o homem muito antes do Pecado Original. Não sou eu, não nego as afirmações; espero, uma espera por crer no irremediável, no angustiante Hoje. Já é amanhã...
Esperando para ser atendida numa loja converso com uma senhora de 80 anos. Diz que não tem mais idade para aprender muita coisa, mas mesmo assim irá fazer um curso de fotografia. "É que sempre corto a cabeça de alguém ou borro a foto!" diz ela com pesar. Está acompanhada de outra senhora, me diz que moram juntas e fala baixinho como um segredo “Vamos pra Paris e Portugal”. A outra senhorinha a olha com carinho e ri, elas dão as mãos com leveza. Despeço-me dizendo pra ela fazer sim o curso, que sempre é tempo de aprender alguma coisa nova e desejo boa viagem. Recebo sorrisos em troca que são como cafuné.
As novas famílias não são novas, sempre estiveram por aí. Todo amor é um bom amor, seja ele em que idade for!

Quinta-feira, Setembro 01, 2011

E se eu te disser que o antigo é o porvir assombrado do eu de agora?

"O armário

É um armário largo, esculpido; o carvalho escuro,
Muito antigo, tem este ar bondoso das velhas gentes;
O armário está aberto, e sua sombra derrama obscuro
Como onda de vinho velho, perfumes atraentes;

Está cheio, é uma bagunça de velhas velharias,
De roupas cheirosas e amarelas, de trapos
De mulheres ou crianças, desbotadas rendarias,
Chales da avó pintados com grifos, guardanapos;

— É nele que se acharia medalhões, cachos
De cabelos brancos ou loiros, retratos, penachos
Cujo perfume se mistura a perfumes de frutas.

— Ó armário dos velhos tempos, tu sabes de muitas lutas,
E querias contar histórias, e ranges feito gavetas
Quando se abrem lentamente tuas grandes portas pretas."

Arthur Rimbaud

Segunda-feira, Junho 27, 2011

Narrativa difusa
Esquizofrênica Lua
Alternando fogo e água
Mas ela é de Aquário!
É um brinde naquele sonho
Chega Maria quando em verdade é Dora
Negativa, neve e
O branco do silêncio
...caótico
Jazzy, agora entendo bem o que ela falava, essa coisa de brinde for two total.

Domingo, Junho 12, 2011

O que é isso? Essa incerteza, esse afã
O que é?
Essa conexão estranha, etérea
Essa saudade ruim, do que nunca aconteceu
É o arrependimento, a dor?
A cura não tem respostas
Não há rostos, não há mais quadros figurativos
Apenas lampejos, memória desfigurada
O que é isso, senão um risco em mim

Sexta-feira, Maio 27, 2011

Enxerga a minha vida, é sua
Esfrega em mim essa ânsia
Essa anseio tolo que é de verdade
Finge que de tudo ainda resta mais
Enxerga
Me sufoca de falta de ar
Nua, à tua espera
Era teu o que um dia prometi
E além, do que o resto previa
Existia o ali, no meio do seu eu
Que era em mim

Quinta-feira, Abril 07, 2011

"Sí, pero quién nos curará del fuego sordo, del fuego sin color que corre al anochecer por la rue de la Huchette, saliendo de los portales carcomidos, de los parvos zaguanes, del fuego sin imagen que lame las piedras y acecha en los vanos de las puertas, cómo haremos para lavarnos de su quemadura dulce que prosique, que se aposenta para durar aliada al tiempo y al recuerdo, a las sustancias pegajosas que nos retienen de este lado, y que nos arderá dulcemente hasta calcinarmos."


Julio Cortázar em Rayuela.